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Entrevista
a Nicolau dos Reis Lobato



20 Maiu 2018
Timor-Leste's big spending: a brave way to tackle economic crisis or just reckless? "Um por todos, todos por um! Falhar não é opção" Estávamos a 20 de maio de 2002, há precisamente 15 anos. (Entrevista exclusiva ao NM) Sentido Historiku 20 de Maio "Um país só é verdadeiramente livre quando elevar o nivel de educação dos seus cidadãos"

sexta-feira, 12 de maio de 2017

É Preciso Pedagogia para Ajudar Os Sr.s Deputados a Acabar o Mandato com Dignidade

É PRECISO PEDAGOGIA PARA AJUDAR OS SR.S DEPUTADOS A ACABAR O MANDATO COM DIGNIDADE


Fidelis Manuel Leite Magalhaes
www.facebook.com/fidelisleitemagalhaes
O expediente de usar Resoluções do Parlamento Nacional para fazer afirmações políticas de partidos políticos não é um bom hábito para a nossa Democracia.

Mais uma vez, os Deputados ao Parlamento Nacional cederam à tentação de usar actos do Parlamento Nacional para a luta política mais imediata, com a discussão das Resoluções do PN de não ratificação da nomeação o PTR e do pedido de destituição o PGR. Inspirados em exemplos comparados destrutivos, parecem querer seguir a exemplos de conflitualidade entre instituições que, por exemplo, se vê na Guiné-Bissau.

A Resolução de não ratificação da nomeação do PTR não existe na Constituição, nem tem qualquer efeito legal. Mais estranho ainda é a Resolução a requerer a destituição do PGR com acusações graves, sem qualquer fundamento que desonram os Deputados e o PN.

A Constitucionalidade destas decisões do Presidente da República é clara e apoiada por todos os observadores independentes (como o JSMP) e comprometidos, como o PM e o PPN. O próprio PN, em 2003, presidido pelo Presidente da República eleito, Dr. Francisco Guterres, Lu’Olo, pela Resolução Parlamento Nacional n.º 5/2003, de 22 de Abril, entendeu que a nomeação do PTR não carece de ratificação parlamentar. Quanto à audição do PGR, o Primeiro-Ministro referiu-se várias vezes publicamente às discussões com o PR sobre o assunto.

Qual é, então, o objectivo destas Resoluções?

Jurídico não é certamente, porque não se impugna os actos do PR como fizeram já de outra vez e perderam no Tribunal de Recurso. Os objectivos são apenas políticos e dos mais imediatos. Estas resoluções são uma tentativa de condicionar o próximo Presidente da República e de interferir na independência do poder judicial. Confia-se que o próximo Presidente de todos os Timorenses saiba resistir a estas tentativas de condicionamento externo. Os Tribunais já estão habituados a resistir a estas pressões e confia-se que assim continuem a resistir!

Mas as razões são claras para todos - os Sr.s Deputados lidam mal com a independência judicial e querem condicionar a justiça. Afinal são as mesmas pessoas que expulsaram os juízes estrangeiros, pretendendo revogar contratos de trabalho sobre os quais não tinham qualquer competência, alcançando esse efeito pelo expediente de revogação administrativa de vistos de trabalho de cidadãos estrangeiros. Desta vez não há é vistos de trabalho para revogar, porque são os nossos concidadãos que assumem esta luta pela independência dos Tribunais! A separação de poderes é um valor fundamental a promover na construção do Estado de Direito e é uma pedagogia que interessa fazer - em especial aos Sr.s Deputados.

Confia-se também que o Presidente Eleito Lu’Olo saberá resistir à tentativa dos Sr.s Deputados de condicionar o sector de Justiça.

Certamente que se a escolha do PTR tivesse sido outra, mais próxima política e fisicamente dos Sr.s Deputados, de certeza que seria constitucional e nada disto se passaria! É a cega ambição totalitária do poder de quem tudo pode pela força da coligação de números. O mesmo foi feita nas alterações às Lei Eleitorais para reforçar os grandes partidos e diminuir o contraditório político.

O problema com que se deparam os Sr.s Deputados é que o PR Taur Matan Ruak é a voz independente que defende a Democracia, a pluralidade e a independência judicial, sem olhar a interesses familiares, políticos ou partidários - apenas olhando para o superior interesse nacional. E esta evidência apouca quem se atreve a tecer considerações éticas sobre o herói da luta da libertação nacional que é o Presidente Taur Matan Ruak.

As motivações do Sr.s Deputados já não enganam ninguém, colocados perante a evidência cada vez mais presente da transitoriedade do poder, que é sempre do povo que votará nas próximas eleições! Aliás, a adopção destas Resoluções é contraditória nos seus próprios argumentos - se o PR em funções não devia nomear o PTR e o PGR, este PN também não deveria ratificar ou não, devendo deixar para o próximo!

O mandato do Procurador-Geral estava já expirado, com importantes investigações a decorrer. Os Sr.s Deputados pressionavam para a marcação das eleições, com a nova Lei das Eleições Parlamentares que determina que as candidaturas sejam apresentadas perante o Presidente do Tribunal de Recurso. Como poderia o Presidente da República não nomear os mais importantes titulares do sector de Justiça?

Aliás, quais acham os Sr.s Deputados que são as consequências para o processo em curso de apresentação de candidaturas às eleições legislativas?

Os Sr.s Deputados lidam mal com quem não assume as suas dores. Neste caso querem é pessoas diferentes daquelas que o Presidente da República nomeou - então assumam que querem um Tribunal domesticado! Não peçam é ao Presidente da República para participar nesse exercício.
Infelizmente, os Sr.s Deputados não percebem é o mal que, com estas “brincadeiras”, fazem ao País!

Não percebem, à partida, o mal que fazem ao processo eleitoral em curso, considerando as competências do PTR na aceitação das candidaturas. E não percebem o mal que fazem ao regular funcionamento das instituições democráticas com este clima de guerrilha democrática. Assim, nenhum investidor sério confiará nas nossas instituições para aqui investir o seu dinheiro, nenhuma organização internacional ou Estado estrangeiro confiará para connosco trabalhar e nenhum timorense terá confiança no Estado.

As Resoluções do Parlamento Nacional não podem servir para os Sr.s Deputados fazerem declarações políticas que deveriam fazer nos seus partidos políticos. São actos formais do Estado, com efeitos e consequências jurídicas demasiado sérias para serem usadas na chicana político-partidária quotidiana que denigre a imagem do Parlamento Nacional e das nossas instituições democráticas.

A única “redeeming feature” é a baixa participação dos Sr.s Deputados na votação destas Resoluções e os ilustres votos contra de quem percebeu que este é um exercício muito parcial com interesses muito claros do qual nada de bom pode sai para o nosso país!

É preciso ter paciência e, pedagogicamente, educar os Sr.s Deputados para os ajudar a acabar com dignidade os seu mandato!


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